O que fazer no Algarve no inverno: descubra a Rota das 5 Aldeias de Budens

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O que fazer no Algarve no inverno: descubra a Rota das 5 Aldeias de Budens

o que fazer no Algarve

Já imaginou uma caminhada pelo Algarve onde pode encontrar pegadas de dinossauros, praias escondidas, vestígios romanos e aldeias com histórias de piratas? A Rota das 5 Aldeias de Budens reúne tudo isto em dois percursos pelo Barlavento Algarvio.

Há sempre mais qualquer coisa para descobrir no Algarve, mesmo para quem já passou férias na região várias vezes. Uma estrada por onde nunca se virou, uma praia que não aparece nos roteiros habituais ou uma pequena aldeia que acaba por surpreender.

Se está à procura do que fazer no Algarve para além dos locais mais conhecidos, a Rota das 5 Aldeias de Budens é uma descoberta a considerar. Oficialmente inaugurada em junho de 2025, esta rota situa-se no concelho de Vila do Bispo e acrescenta dois percursos à oferta de trilhos no Algarve. Liga Budens, Figueira, Salema, Burgau e Vale de Boi através de caminhos rurais, trilhos costeiros e pequenas estradas que atravessam algumas das paisagens mais bonitas desta parte da região.

Pelo caminho, há praias entre falésias, vestígios de antigas comunidades piscatórias e curiosidades que dificilmente descobriria numa visita dedicada apenas ao litoral.

Dois percursos, muitas razões para explorar

A Rota das 5 Aldeias de Budens está dividida em dois percursos circulares. Pode escolher um deles, percorrer ambos em dias diferentes ou utilizar os pontos de interesse como inspiração para um passeio de carro, fazendo pequenas caminhadas pelo caminho.

Trilho dos Dinossauros (PR8 VBP)

Com cerca de 10 km e uma duração estimada de 3h10, este percurso começa na Fonte Milenar, em Budens, e passa pela Figueira e pela Salema.

É uma caminhada que combina caminhos rurais com um interessante troço junto à costa, passando pela Praia da Figueira, pelas ruínas do Forte de Vera Cruz e pelas falésias até à Salema.

A grande surpresa espera-o na praia: pegadas de dinossauros com cerca de 125 milhões de anos, preservadas na rocha junto ao areal.

Trilho dos Romanos e dos Piratas (PR7 VBP)

Para quem procura uma caminhada mais longa, este percurso circular tem cerca de 14 km e uma duração estimada de cinco horas.

Passa por locais como a Boca do Rio, a Praia das Cabanas Velhas e o Burgau, com uma ligação a Vale de Boi. É uma excelente oportunidade para conhecer praias menos movimentadas, observar a paisagem costeira e descobrir lugares que, há muitos séculos, já eram frequentados por pescadores, comerciantes e navegadores.

Os dois percursos têm troços asfaltados e algumas passagens irregulares, especialmente junto às falésias. Convém levar calçado apropriado, água e consultar o mapa antes de partir.

Cinco aldeias, cinco boas razões para fazer o caminho

Para quem procura o que fazer no Algarve fora dos locais mais visitados, cada uma destas cinco aldeias oferece uma razão diferente para parar. Entre pequenas curiosidades, praias e histórias locais, há muito para descobrir ao longo do caminho.

Budens

Budens é o ponto de partida do Trilho dos Dinossauros e uma aldeia que merece uma pequena exploração a pé.

Entre as suas ruas encontra a Igreja de São Sebastião, antigos elementos ligados à vida agrícola e a curiosa Fonte Milenar, um local de abastecimento de água utilizado por várias gerações.

A fonte tem uma particularidade: na sua grande pia de pedra avermelhada ainda são visíveis marcas deixadas por quem ali afiava machados. Existe também um pequeno coração na pedra. Encontrá-lo faz parte do desafio lançado aos visitantes pela própria rota.

Outra curiosidade é o Moinho da Torre, que esteve em funcionamento até 1958 e foi posteriormente recuperado. Uma recordação de quando os moinhos faziam parte do quotidiano agrícola desta região.

Figueira

A Figueira é uma boa surpresa para quem gosta de combinar caminhadas com praias menos conhecidas.

A partir da aldeia, pode seguir a pé até à Praia da Figueira, rodeada por falésias e acessível através de um caminho pedestre. Nas proximidades encontram-se as ruínas do Forte de Vera Cruz, de onde se avista a costa.

Mas a grande curiosidade da Figueira é uma história local que parece saída de um romance de aventuras.

Conta-se que, em maio de 1670, um grupo de piratas norte-africanos desembarcou na praia e tentou atacar a povoação. Os habitantes organizaram-se e conseguiram derrotar os invasores.

Hoje, é difícil imaginar semelhante episódio perante a paisagem da pequena baía.

Salema

A Salema é uma das aldeias piscatórias mais conhecidas desta zona do Algarve. As casas descem pela encosta até à praia, onde ainda é possível observar embarcações e alguma atividade ligada à pesca.

O próprio nome da aldeia vem da salema, um peixe que existe nestas águas.

Mas o que torna esta praia particularmente especial está escondido à vista de todos.

No extremo poente do areal, junto à base das escadas de acesso à praia, encontram-se pegadas de um dinossauro herbívoro que passou por aqui há cerca de 125 milhões de anos.

Não espere encontrar pegadas perfeitamente desenhadas na areia. Estão impressas numa laje de calcário e podem ser difíceis de reconhecer à primeira vista. A maré também condiciona a observação, por isso é aconselhável consultar os horários antes da visita.

Depois da descoberta, aproveite para passear pelas ruas da aldeia ou ficar para almoçar junto ao mar.

Burgau

No Burgau, as ruas estreitas e inclinadas conduzem até à praia, entre casas brancas, pequenos estabelecimentos e recantos de onde se avista o Atlântico.

É uma aldeia particularmente agradável para explorar a pé, embora algumas subidas possam exigir um esforço adicional.

O Burgau nasceu de uma antiga armação de pesca de atum, no século XVI. E há uma curiosidade no seu nome: está associado a um pequeno caracol marinho encontrado nas rochas da região, sendo também utilizado localmente para designar seixos rolados.

Na praia, procure os vestígios da antiga atividade piscatória e observe a paisagem a partir das zonas mais elevadas da aldeia.

Se a caminhada abrir o apetite, o Burgau é também um bom local para fazer uma pausa num dos restaurantes junto à costa.

Vale de Boi

Vale de Boi fica no interior e apresenta uma paisagem diferente das aldeias costeiras. Para quem gosta de turismo rural no Algarve, esta pequena povoação rodeada de campos permite descobrir uma região onde a agricultura e a vida das aldeias continuam a marcar a paisagem.

Mas o que torna Vale de Boi verdadeiramente especial é uma descoberta arqueológica extraordinária: numa encosta próxima, foram encontrados vestígios de ocupação humana com pelo menos 33 mil anos.

Durante as escavações, os investigadores identificaram restos de animais como leões, ursos e auroques, além de objetos utilizados por comunidades pré-históricas.

Entre os achados está uma pequena placa de xisto com a figura de um auroque gravada.

Embora o sítio arqueológico não seja uma atração museológica convencional, a aldeia permite conhecer uma faceta muito diferente do Algarve. Aproveite também para descobrir a Ermida de São Lourenço, uma pequena construção do século XVII.

Pelo caminho, não deixe de visitar a Boca do Rio

Entre os vários pontos de passagem da rota, a Boca do Rio merece especial atenção.

A praia encontra-se numa zona de grande interesse natural, junto a uma área húmida conhecida como Paul da Lontreira. É um lugar particularmente interessante para quem gosta de observar aves e explorar paisagens onde o campo encontra o mar.

E há algo que poucos visitantes imaginam: há cerca de dois mil anos, a Boca do Rio tinha um porto romano.

As escavações arqueológicas identificaram vestígios de uma antiga povoação dedicada à exploração dos recursos marinhos, incluindo termas, mosaicos e um cais com cerca de 40 metros.

Nas proximidades encontram-se ainda as ruínas do Forte de São Luís de Almádena, construído no século XVII para proteger a pesca do atum.

Para uma caminhada mais curta, a Estação da Biodiversidade da Boca do Rio oferece um percurso circular de aproximadamente 2 km, com vistas sobre a costa e a zona húmida.

Uma maneira diferente de passar um dia no Algarve

Se gosta de caminhar, explorar pequenos lugares e descobrir praias fora dos circuitos habituais, esta rota merece um lugar na sua lista de experiências no Algarve.

Não é obrigatório percorrer dezenas de quilómetros para aproveitar o melhor da visita. Pode escolher apenas algumas aldeias, combinar uma caminhada com um almoço junto ao mar ou dedicar um dia inteiro a descobrir esta parte do Barlavento Algarvio.

E se está a pensar no que fazer no Algarve com crianças, pode adaptar a visita à idade dos mais novos. Procurar o coração gravado na Fonte Milenar ou tentar descobrir as pegadas de dinossauros na Salema são duas sugestões para uma aventura em família. Tenha apenas em atenção as condições de acesso às pegadas e as marés, e evite os troços costeiros mais exigentes com crianças pequenas.

Para quem visita o Algarve fora do verão, os dias amenos de outono, inverno e primavera podem ser especialmente agradáveis para explorar estes caminhos.

Antes da visita, consulte o site oficial da Rota das 5 Aldeias de Budens, onde encontra os mapas, as informações sobre os percursos e os ficheiros GPS.

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